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quarta-feira, 7 de julho de 2021

Como é depressivo esse Evangelion

 Evangelion é uma das coisas que eu mais gosto na cultura pop, ela conversa comigo como quase nada faz. Eu não sou um entendedor da série nem nada do tipo, não vou fazer nenhuma analise, até porque faz muito tempo que eu vi essa série e nem lembraria mais dos detalhes, só quero falar do que ainda sinto.



Assisti Evangelion ainda durante a escola, indicado por um grande amigo meu (abraço Henrique), como um "anime de robô gigante muito maluco", então eu fui assistir esperando porrada genérica, e ganhei um mergulho na mente humana, fui maratonando de um episodio pro outro (num site de animes online que era maravilhoso mas não lembro mais o nome, nem existe mais) completamente tomando pela narrativa, o universo e os personagens.


O Shinji é um protagonista fantástico, completamente diferente do "herói" habitual, ele me parece muito mais próximo de mim, de sensações humanas. Em Evangelion a maioria dos personagens está em uma fase diferente de depressão, e lidando com ela de uma forma diferente. O Shinji perdeu a mãe, nunca teve seu pai próximo, sente que todo mundo ao seu redor quer só usa-lo, afinal ele tem uma facilidade para controlar o tal do robô gigante e enfrentar os anjos que estão destruindo o mundo.


Por isso o moleque passa seus dias completamente perdido no que fazer, como fazer, se luta, se foge, se age, se manda tudo pros ares, longas cenas no metrô ouvindo seu walkman refletindo sobre aquela situação maluca. A Misato grita, fala muito, enche a cara o dia todo, só pra esconder a angustia que ela sente, são esses desenvolvimentos dos personagens e do mundo que eu achava fantástico, eram sentimentos diferentes, mas muito familiares, não só pra mim como para pessoas ao meu redor, foi abrindo meus olhos para o mundo real como eu nunca tinha visto.


O Shinji toma poucas e pontuais decisões claras durante a "aventura", ele vai lutar no lugar da Rei, ataca a central da NERV, etc. Isso era outra coisa que me fazia refletir, não é que ele fosse "levado pela trama", mas ele se via perdido naquele lugar, tomando coragem aqui e ali pra fazer algo que acreditava, mesmo que no fim nem desse certo. É algo muito natural, comum na minha vida pelo menos, incertezas, escolhas pontuais que acabam nem interferindo em nada, era simplesmente a vida como ela era, de uma forma que até hoje não sei bem explicar.


O final da série era até esperançoso, bem confuso, mas bem diferente do final do filme, que é supre deprê, e me deixou refletindo por dias a fio, tanto que pra ser bem sincero, quando comecei a ver os filmes do Rebuild of Evangelion eu empaquei no 2º, ele tem uma reviravolta tão bonita e tão emocionante que eu até hoje não tenho coragem de continuar e ver como aquela historia vai terminar, é como perder uma parte de mim mais uma vez. 


Evangelion é um anime que marca, abra bem a mente, esqueça os clichês tradicionais, isso aqui é diferente, o começo até brinca de ser anime de ação, mas do meio pro fim vira uma loucura que não para nunca, e não te deixa nunca, e nem deve.

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